Diretriz clínica para triagem, diagnóstico e intervenção precoce de TEA em crianças baseada em consensos da AAP e CDC. • Fonte: CANMAT/APA
Atual
1Passo 1: Triagem Precoce e Sinais de Alerta
A triagem deve ser realizada ativamente nas consultas de puericultura ou mediante preocupação escolar/familiar.
Principais Sinais de Alerta Precoces (A partir de 18 meses):
Contato visual fraco, fugaz ou inconsistente.
Não responder ao próprio nome (parecer surdo, mas responder a outros sons).
Ausência de atenção compartilhada (não apontar para mostrar objetos de interesse).
Atrasos na aquisição da linguagem ou perda de palavras já adquiridas.
Movimentos repetitivos (flapping de mãos, andar nas pontas dos pés, balançar).
Hipo ou hiperreatividade sensorial a barulhos, texturas ou luzes.
Uso Clínico do M-CHAT-R/F (16 a 30 meses):
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Passos cadastrados
Diretriz clínica para triagem, diagnóstico e intervenção precoce de TEA em crianças baseada em consensos da AAP e CDC. Versão cadastrada: 1.1. Atualização gravada no protocolo: 2026. O texto abaixo repete os nós já usados no fluxo interativo.
decisão
Passo 1: Triagem Precoce e Sinais de Alerta
A triagem deve ser realizada ativamente nas consultas de puericultura ou mediante preocupação escolar/familiar.
Principais Sinais de Alerta Precoces (A partir de 18 meses):
* Contato visual fraco, fugaz ou inconsistente.
* Não responder ao próprio nome (parecer surdo, mas responder a outros sons).
* Ausência de atenção compartilhada (não apontar para mostrar objetos de interesse).
* Atrasos na aquisição da linguagem ou perda de palavras já adquiridas.
* Movimentos repetitivos (flapping de mãos, andar nas pontas dos pés, balançar).
* Hipo ou hiperreatividade sensorial a barulhos, texturas ou luzes.
Uso Clínico do M-CHAT-R/F (16 a 30 meses):
Opções no fluxo: Escore Alto Risco (>= 8) ou Sinais Clínicos Graves · Escore Risco Moderado (3 a 7) · Escore Baixo Risco (0 a 2)
desfecho
Monitoramento Clínico de Rotina
Conduta:
* Manter vigilância regular dos marcos de desenvolvimento nas próximas consultas de puericultura.
* Repetir a triagem aos 24 e 30 meses ou se surgirem novas preocupações de cuidadores ou professores.
Opções no fluxo: Reiniciar Triagem
decisão
Aplicação da Entrevista de Seguimento do M-CHAT-R/F
Para crianças na faixa de risco moderado (3-7 no M-CHAT-R/F), é obrigatório aplicar a Entrevista de Seguimento (M-CHAT Follow-up) para detalhar as respostas e mitigar falsos-positivos.
Conduta após Entrevista de Seguimento:
Opções no fluxo: Seguimento Positivo (Escore Final >= 3) · Seguimento Negativo (Escore Final 0-2)
decisão
Passo 2: Avaliação Diagnóstica e Exames Complementares
O diagnóstico de TEA é puramente clínico, baseado nos critérios do DSM-5. A avaliação deve ser multidisciplinar (Pediatra/Neuropediatra/Psiquiatra Infantil e Neuropsicólogo).
Investigação Etiológica e Exames Complementares (Neuropediatria):
1. Triagem Genética: Solicitar CGH-Array (Cariótipo com Microarranjo) e teste molecular para X-Frágil em crianças com TEA ou atraso global do desenvolvimento para investigar causas genéticas subjacentes.
2. Eletroencefalograma (EEG) em Sono: Solicitar se houver regressão documentada de marcos da linguagem (afastar Síndrome de Landau-Kleffner) ou se houver suspeita clínica de crises epiléticas comórbidas (incidência muito superior ao normal).
3. Avaliação Neuropsicológica: Recomendar aplicação de testes estruturados (ADOS-2, ADI-R, SRS-2) para mapear habilidades sociais e comportamentais.
Opções no fluxo: TEA Confirmado (Mapear Nível de Suporte) · Diferencial Dominante (Transtorno de Linguagem, TDAH, DI)
decisão
Mapear Nível de Suporte (DSM-5)
O nível de suporte dita a intensidade das terapias e o prognóstico da criança. Deve ser avaliado nas dimensões de Comunicação Social e Comportamentos Repetitivos/Inflexíveis:
* Nível 1 (Leve - Requer Apoio): Apresenta frases completas, mas falha na interação recíproca. Inflexibilidade causa interferência leve.
* Nível 2 (Moderado - Requer Apoio Substancial): Sentenças simples, interação limitada a interesses específicos. Comportamentos repetitivos visíveis a observadores casuais.
* Nível 3 (Grave - Requer Apoio Muito Substancial): Comunicação verbal mínima ou nula, pouca resposta a estímulos sociais. Rigidez extrema e grande sofrimento ao mudar de rotina.
Opções no fluxo: Avançar para o Plano de Intervenção
desfecho
Encaminhamento para Outras Condições de Desenvolvimento
Se o diagnóstico de TEA for descartado, as suspeitas remanescentes devem ser investigadas e tratadas:
* Transtorno de Linguagem isolado: Encaminhamento imediato para Fonoaudiologia.
* TDAH comórbido: Triagem via SNAP-IV e condutas conforme o protocolo específico.
* Deficiência Intelectual Global (Atraso de Desenvolvimento): Estimulação neurocognitiva multidisciplinar precoce.
Opções no fluxo: Voltar ao Início do Roteiro
ação
Passo 3: Plano de Intervenção Multidisciplinar Imediato
*Aviso:* Não atrasar o início das terapias sob a justificativa de aguardar laudo definitivo. A intervenção precoce aproveita a máxima plasticidade sináptica da criança.
Terapias de Primeira Linha (Baseadas em Evidências):
1. Terapia Comportamental (ABA - Análise do Comportamento Aplicada): Foco em comunicação funcional, desenvolvimento social e redução de comportamentos disruptivos. Intensidade conforme o nível de suporte (Nível 3 frequentemente exige de 20 a 40 horas semanais).
2. Fonoaudiologia: Foco na fala pragmática e comunicação alternativa/aumentativa (ex: PECS ou aplicativos de comunicação por imagens) para crianças não-verbais ou com apraxia.
3. Terapia Ocupacional com Integração Sensorial (TO-IS): Indicada para crianças com disfunções de processamento sensorial (hiper ou hiposensibilidade a ruídos, toque ou texturas de alimentos).
4. Suporte Escolar: Construção do PEI (Plano de Ensino Individualizado) e adaptação escolar com apoio de mediador se necessário.
Opções no fluxo: Avaliar Farmacoterapia para Comorbidades ou Alvos Graves · Acompanhamento e Monitoramento Ponderal/Metabólico
ação
Manejo Farmacológico de Comorbidades no Autismo
*Importante:* Não há medicamentos aprovados para os sintomas nucleares do TEA. O tratamento farmacológico visa sintomas comórbidos graves que causem prejuízo ou impeçam a participação nas terapias comportamentais.
1. Irritabilidade Grave, Auto ou Heteroagressividade, Birras Extremas:
* *Medicamentos aprovados (Anvisa/FDA):*
* Risperidona: Iniciar com 0.25mg/dia (se < 20kg) ou 0.5mg/dia (se >= 20kg). Titular devagar. Dose usual: 0.5mg a 1.5mg/dia. Máximo: 3mg/dia.
* Aripiprazol: Iniciar com 2mg/dia. Dose usual: 5mg a 10mg/dia. Máximo: 15mg/dia.
* *Monitoramento:* Medir glicemia, prolactina (Risperidona) e ganho de peso/circunferência abdominal a cada 6 meses.
2. TDAH Comórbido (Frequente):
* Metilfenidato: A resposta no TEA pode ser menos limpa e ter mais colaterais (irritabilidade, choro). Monitorar estreitamente.
* Clonidina / Guanfacina: Boas alternativas se houver agressividade ou insônia associada.
3. Distúrbios Graves de Sono:
* Melatonina: Iniciar com 1mg a 3mg à noite. Excelente evidência no autismo devido à secreção endógena sabidamente desregulada nessas crianças.
Opções no fluxo: Ver Plano de Acompanhamento
desfecho
Acompanhamento Clínico e Reavaliação Periódica
Seguimento Clínico (Recomendado a cada 3 a 6 meses):
* Vigiar o desenvolvimento físico (peso e estatura) e exames metabólicos se a criança estiver fazendo uso de antipsicóticos atípicos.
* Solicitar relatórios técnicos periódicos à equipe de terapeutas (ABA, Fono, TO) para quantificar as metas comportamentais e ajustar a carga horária terapêutica.
* Avaliar e oferecer acolhimento e suporte psicoeducativo para os pais e cuidadores (alta prevalência de burnout parental).
Opções no fluxo: Voltar ao Início do Protocolo
Notas já gravadas neste passo
O diagnóstico de TEA é clínico. Exames laboratoriais e genéticos servem exclusivamente para buscar a etiologia, nunca para confirmar o diagnóstico.
A estimulação precoce adequada antes dos 3 anos de idade é o maior fator de impacto positivo na autonomia futura da criança.